terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

MUDAR AS BASES


Há alguns dias fui a Ilhéus, pegar um cinema, pois minha cidade, Itabuna, polo comercial, onde atende diversas cidades circunvizinhas, não possui um cinema há tempos e creio que não virá a ter por um longo tempo. Voltando de Ilhéus, no domingo isso, num coletivo onde tinha várias pessoas cansadas, como eu, um cidadão liga o som do celular, o que pela altura, estava no máximo e me vem com algum “pancadão”. Eu que estava prestando atenção na rádio, no qual o motorista tinha sintonizado bem baixinho, poucos, creio eu, estavam prestando atenção, passava Skank. Enfim, depois que esse cidadão ligou o celular não mais tive paz, não consegui mais fechar os olhos e dormir, e foi à viagem inteira nesse desconforto. Essa situação, pelo menos na minha cidade é comum, se repete diariamente, a todo instante. E como a mim provocou um enorme desconforto, melhor, irritação mesmo, sei que a outras pessoas causa o mesmo.
A partir daí, comecei a pensar o quanto somos ignorantes, sujos, mal educados, espertalhões, e, principalmente, omissos. Furamos fila, jogamos lixo no chão, incomodamos os outros com som alto. O que é interessante é que há tempos que clamamos por mudança, gritamos que vivemos num país corrupto, pedimos o expurgo da ala ruim do país, mas sempre o que me vem à mente é meu pai dizendo: não me traga problemas, mas sim, soluções. E a raiz do problema, acredito eu, que é má formação básica.
É obvio, é até mesmo, clichê, falar que o que pode mesmo mudar o país é a educação. Mas não digo uma educação cuspida, arcaica, ditada, em quadros caindo aos pedaços, mas a educação de base. Precisamos de educação familiar, educação social, educação escolar, educação sexual.
Quando você fura a fila, quando você joga lixo no chão, quando você incomoda as pessoas com seu som alto. Não é, somente, a escola quem falhou, mas sim, quem deveria e podia te instruir, assim digo, não são apenas os pais, mas a sociedade/comunidade como um todo.
Reformar.
Então, creio que como dever cívico, proponho como reforma de base, o resgate de um conceito que há muito não é usado, pelo menos, não efetivamente, O RESPEITO AO PROXIMO. Nos, sociedade (pais, professores, parentes, amigos, outros e afins), na nossa capacidade de instrutores e influenciadores, devemos incutir ou sugestionar, ou educar o outro, no que tange a que cada um é diferente, tem o seu espaço, tem suas ideias, tem os seus gostos, que não deve ser excluído ou rejeitado por isso, somos peculiares em nosso jeito de ser. Acho que essa é a máxima que rege tudo, O RESPEITO. Porque ao tornar claro na mente do outro, que devemos manter o respeito ao próximo de uma forma geral mesmo, a probabilidade do cidadão não violentar a sua companheira, não faltar com a professora, não humilhar os pais, não agredir os animais, é muito menor.

Se começarmos a trabalhar o conceito “respeitar ao próximo” desde sempre, seja, quando criança, jovens, adultos, idosos, não num sentido que submissão ou reverencia, mas, respeitar o outro e suas particularidades de uma forma que você quisesse assim ser, tenho a convicção de que as relações interpessoais serão melhores, ou que pelo menos todos passem a andar com seus respectivos fones de ouvido. 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Desabafo



A primeira vez que assisti Tropa de Elite, num DVD pirata por sinal, e ouvi o Capitão Nascimento pronunciando a frase “Bandido bom, é bandido morto”, o que veio a ser uma das falas mais marcantes do filme, eu ali com meus quatorze anos fiquei fascinado, pra mim eles eram os heróis, entravam ali e matavam todos os “do mal”, na época era o bem prevalecendo sobre o mal, o ápice. Anos mais tarde lendo o livro “Revolução dos Bichos”, de George Orwell, li a mesma frase só que num contexto diferente, “Humano bom, é humano morto”.

Há tempos que vejo essa frase, imortalizada pelo bom Cap. Nascimento, ser usada toda vez que um bandido é morto, é como se fosse um uivo de vitória daqueles que há muito estão acuados, créditos pela crescente onda de violência. E ultimamente, é cada vez mais comum ligarmos o jornal e lá está estampado na programação apenas coisas ruins, digamos “a realidade”, vemos cada vez mais a barbárie, chego a pensar que os povos antigos eram mais civilizados, a falta de respeito pela vida do próximo, filhos que matam pais, pais que cometem atrocidades com filhos, enfim, está tudo muito em evidência. E mais, os telejornais parecem mais reality shows, muitos ao invés de tratarem tais casos com seriedade que é devida, retratam debochando e escarniando os ofensores. Há quem acha engraçado...
Mas o ponto que hoje quero tratar é mesmo da falta de respeito pela vida do outro. Começo falando da minha vida, eu tive uma educação cristã, quase viro ateu e hoje sou espirita, feliz por ter tido uma família bem eclética, onde tem pé no candomblé, na igreja católica, na igreja evangélica e no espiritismo, e é lá onde hoje me encontro, e talvez tenha sido minha maior escolha nos últimos sete anos.  E uma das coisas que aprendi é o valor da vida, eu aprendi a respeitar as escolhas do outro, aprendi a não julgar, aprendi que penso diferente do outro, aprendi que tudo que eu faço tem uma consequência.  
E é isso, quando eu vejo um jovem estendido no chão morto, eu não uivo de raiva, eu não espumo de vitória, eu não saúdo a morte, eu não grito “BANDIDO BOM, É BANDIDO MORTO”. Eu fico triste, eu não sinto pena, porque talvez se alguém tivesse acreditado que uma segunda chance poderia mudar a vida daquele rapaz, ele não estaria ali estendido no chão. Toda vez que eu vejo uma noticia chocante, um caso de algum conhecido, eu não desejo o mal ao infrator, eu não desejo que tudo que é de ruim recaia sobre ele e ele pague da pior forma possível, eu fico triste, triste porque em tempos como esse, parece que a própria sociedade desistiu daqueles que um dia jurou proteger.
Eu não desejo a impunidade, jamais. Espero que de acordo com as leis dos homens, que o infrator seja julgado, condenado e cumpra como manda todos os ditames da lei. E se assim sair impune, que um dia – de acordo com meu posicionamento espiritual – ele pague o que deve, mas que seja justo.

De fato, a violência cresceu e de uma forma que me faz ter saudade da época em que fui criança, que até tarde eu brincava na porta, e hoje tenho medo de ser assaltado ao chegar em casa. Vejo que os novos bandidos tem feições diferentes, são cada vez mais jovens e tem mais cada vez mais escarnio pelas leis e pelas pessoas, assim o terror está a solta. A sociedade acuada, clama por justiça, mas só vejo desejo de vingança. Eu fico triste, a sociedade está esmorecendo e ninguém sabe o que fazer
No final das contas, se assim a violência continuar a crescer, quem deverá estar certo não será o Cap. Nascimento, mas sim George Orwell, HUMANO BOM, É HUMANO MORTO.