segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A Síndrome do Batman

Há tempos venho pensando no quanto é controvertida a questão acerca da violência, como resolver, se de fato bandido bom é bandido morto, se devemos levantar armas e lutar contra nossos "inimigos", enfim, o que me vem à mente é o Batman.

Primeiramente, não conheço tão a fundo a história de Bruce Wayne, só li alguns quadrinhos, mas como sempre fui um viciado nos desenhos e filmes, então dá pra dizer que sei quem é o Batman. Como todos sabem ou pelo menos, sob a minha ótica, o Batman nasce da dor, do sentimento de impunidade e impotência, no qual um jovem vê seus pais serem assassinados na sua frente, e esse jovem transforma essa dor em um ninja de capa que combate os bandidos quando as entidades legalmente investidas não fazem nada, pois estão desacreditadas e corrompidas. A partir daí surge o Herói, a lenda, aquele que faz justiça com as próprias mãos.

Apesar de não haver nenhum Batman conhecido na vida real, dá para fazer algumas referências, parentes que são assassinados e seus agressores não são levados a justiça, autoridades corruptas que apenas se interessam no próprio beneficio (e quando eu digo autoridades, são todos aqueles que tinham o dever de fazer algo para mudar toda uma situação e não o fazem), pessoas que se juntam e rompem o medo e começam a fazer “justiça”.

E é nesse ponto que quero chegar, quando acuados pelo medo da violência, da corrupção, nos levantamos e cometemos crimes, em nome da justiça, mas o que se vê é apenas vinganças. E mais, me espanta muito isso, as pessoas tem aplaudido, brindando no cálice da vitória do bem contra o mal. E um fato interessante é que com a massificação dos meios de comunicação virou moda filmar crimes e disseminar, se espancam um ladrão, se executam um estuprador, se matam um traficante,  há um prazer em documentar as agressões e torna-las públicas, urubus encima da carniça.

Mas é aí o que eu chamo de síndrome do Batman, quando nos cidadãos de bem, cumpridores de nossas obrigações, pagadores de nossas contas, ficamos a mercê dessa escoria e nossas autoridades nada fazem. A partir daí, com a bravura de cães acuados, nos levantamos e combatemos esse mal, com o mal que nos causaram, enfim, geralmente, é crime.

Mas o que fazer? A quem culpar?


Sinceramente, não é certo culpar as pessoas que já se cansaram de tanto apanhar caladas nessa maré de violência, como também não é certo culpar a policia por um trabalho que não é só dela. Bem, nos desenhos o Batman sempre sabe o que fazer e sempre parece que ele fez o certo, na vida real há um complexo de problemas que a resolução dele não seja eficaz, mas o que parece é que as pessoas não estão levando os verdadeiros problemas do Brasil a sério, e muitos acham que só resolveremos isso com muita bala, temo que essas pessoas ganhem muita força e aí sim teremos uma liga da justiça.

Por fim, não quero adotar um bandido e quando vejo um caso que me choca, sinto raiva e é difícil adotar uma postura critica quando as vitimas são pessoas próximas a nos. Também não defendo bandidos, creio piamente que cada um deve pagar pelo que faz, mas que pague dentro dos moldes da lei e com o rigor que está é peculiar. O assunto é muito complicado, porque mesmo que tomemos uma posição racional e critica acerca da temática, somos levados pelas ofensas que sofremos diariamente. Enfim,  mas o que eu vejo e talvez esteja se concretizando é que  se o Brasil continuar com essa grande tsunami de violência, negligenciando nossas necessidades básicas e mais, essa contínua inércia de nossas autoridades, veremos brevemente vários Batmans, ou verdadeiros Coringas.