A primeira vez que assisti Tropa de
Elite, num DVD pirata por sinal, e ouvi o Capitão Nascimento pronunciando a
frase “Bandido bom, é bandido morto”, o que veio a ser uma das falas mais
marcantes do filme, eu ali com meus quatorze anos fiquei fascinado, pra mim
eles eram os heróis, entravam ali e matavam todos os “do mal”, na época era o
bem prevalecendo sobre o mal, o ápice. Anos mais tarde lendo o livro “Revolução
dos Bichos”, de George Orwell, li a mesma frase só que num contexto diferente,
“Humano bom, é humano morto”.
Há tempos que vejo essa frase,
imortalizada pelo bom Cap. Nascimento, ser usada toda vez que um bandido é
morto, é como se fosse um uivo de vitória daqueles que há muito estão acuados, créditos
pela crescente onda de violência. E ultimamente, é cada vez mais comum ligarmos
o jornal e lá está estampado na programação apenas coisas ruins, digamos “a
realidade”, vemos cada vez mais a barbárie, chego a pensar que os povos antigos
eram mais civilizados, a falta de respeito pela vida do próximo, filhos que matam
pais, pais que cometem atrocidades com filhos, enfim, está tudo muito em
evidência. E mais, os telejornais parecem mais reality shows, muitos ao invés
de tratarem tais casos com seriedade que é devida, retratam debochando e
escarniando os ofensores. Há quem acha engraçado...
Mas o ponto que hoje quero tratar é
mesmo da falta de respeito pela vida do outro. Começo falando da minha vida, eu
tive uma educação cristã, quase viro ateu e hoje sou espirita, feliz por ter
tido uma família bem eclética, onde tem pé no candomblé, na igreja católica, na
igreja evangélica e no espiritismo, e é lá onde hoje me encontro, e talvez
tenha sido minha maior escolha nos últimos sete anos. E uma das coisas que aprendi é o valor da
vida, eu aprendi a respeitar as escolhas do outro, aprendi a não julgar,
aprendi que penso diferente do outro, aprendi que tudo que eu faço tem uma
consequência.
E é isso, quando eu vejo um jovem
estendido no chão morto, eu não uivo de raiva, eu não espumo de vitória, eu não
saúdo a morte, eu não grito “BANDIDO BOM, É BANDIDO MORTO”. Eu fico triste, eu
não sinto pena, porque talvez se alguém tivesse acreditado que uma segunda
chance poderia mudar a vida daquele rapaz, ele não estaria ali estendido no
chão. Toda vez que eu vejo uma noticia chocante, um caso de algum conhecido, eu
não desejo o mal ao infrator, eu não desejo que tudo que é de ruim recaia sobre
ele e ele pague da pior forma possível, eu fico triste, triste porque em tempos
como esse, parece que a própria sociedade desistiu daqueles que um dia jurou proteger.
Eu não desejo a impunidade, jamais.
Espero que de acordo com as leis dos homens, que o infrator seja julgado,
condenado e cumpra como manda todos os ditames da lei. E se assim sair impune,
que um dia – de acordo com meu posicionamento espiritual – ele pague o que
deve, mas que seja justo.
De fato, a violência cresceu e de uma
forma que me faz ter saudade da época em que fui criança, que até tarde eu
brincava na porta, e hoje tenho medo de ser assaltado ao chegar em casa. Vejo
que os novos bandidos tem feições diferentes, são cada vez mais jovens e tem
mais cada vez mais escarnio pelas leis e pelas pessoas, assim o terror está a
solta. A sociedade acuada, clama por justiça, mas só vejo desejo de vingança.
Eu fico triste, a sociedade está esmorecendo e ninguém sabe o que fazer.
No final das contas, se assim a violência continuar a crescer, quem deverá estar certo não será o Cap. Nascimento, mas sim George
Orwell, HUMANO BOM, É HUMANO MORTO.

Ótimo posicionamento, excelente forma de se expressar. Porém não tenho tanta certeza se continuarias a pensar da mesma forma, caso fosse uma vítima ou se alguém que lhe seja próximo o fosse. De qualquer forma, respeito o que pensas, confesso que não tenho ainda uma ideia formada a respeito, pois as vezes, de leve e de longe, penso assim.
ResponderExcluirExatamente, quem é vitima, de certa forma não posso culpa-las, clama pela justiça ( ou vingança). Mas o fato, se sempre desejarmos o expurgo da semente ruim, um dia isso pode concretizar e então, matemos em nome de justiça, de um utopia ? Ou podemos nos melhoras, dar oportunidade, reeducar, o que eu falei parece mais um utopia, do que as pessoas fazerem "justiça com as proprias mãos" . Enfim, acreditar que as pessoas podem mudar e que um futuro melhor nos aguarda.
ResponderExcluirMeu pensamento é simples:Se assassionou,merece a morte e se for morto por outros motivos "injustos",seriam os "ossos do ofício".
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkkk. o comentário de Marcelo foi o melhor, adorei kkkk. eu gostei do desfecho, um texto até bom, mas eu não concordo com isso, com o texto, não estou dizendo que concordo com a violência, mas muitas vezes acho que certas pessoas é melhor mortas...
ResponderExcluirNão vou ser hardcore a ponto de dizer que todos criminosos devem morrer, porem certos tipos de crime não merecem perdão. Esse tema é muito situacional.vlwflw
ResponderExcluirNão tenho pena deles por um simples motivo: muitos não roubam porque precisam de dinheiro para comer (ou outras necessidades básicas), mas sim para manter um padrão de vida. Aqui em Salvador, os bandidos vestem roupas de marca como Adidas, Lacoste, Hollister, se misturam na multidão e quando possuem a chance, levam os bens de alguém que cometeu o crime de não andar na cidade com o mesmo medo de uma guerra. Agora que eles perceberam que não tem como a polícia prender todo mundo, estão transgredindo ao ponto de matar uma pessoa porque está não andou com dinheiro na carteira para caso seja assaltada. Esse tipo de gente merece a morte.
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